Operação Condor
Governo Lula e militares acobertam crimes da ditadura

O ministro-chefe da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, propôs uma parceria internacional para abertura de arquivos da ditadura militar provocando nova crise entre o governo e os militares

7 de fevereiro de 2005

Durante as atividades do Fórum Social Mundial, Nilmário Miranda emitiu declarações favoráveis à abertura dos arquivos da ditadura militar em conjunto com outros países do chamado Cone Sul.
Acontece que, durante as ditaduras militares impostas pelo imperialismo norte-americano para conter o movimento operário, houve, no decorrer da década de setenta, uma operação conjunta das ditaduras dos países do Cone Sul para capturar pessoas que não concordassem com o regime estabelecido.
A colaboração entre militares dos países do Cone Sul ficou conhecida como Operação Condor, que não é reconhecida oficialmente, por motivos óbvios. Esta operação foi algo tão repressivo que até as próprias leis da época da ditadura militar, mesmo sendo leis de exceção proibiam tal tipo de ação por parte do governo. Segundo o jornalista norte-americano John Dinges, que pesquisou arquivos de ditaduras de diversos países, a Operação Condor “foi desenhada para imitar, com métodos ilegais, a cooperação internacional das forças policiais que caracterizam a Interpol’’, e foi exatamente isto. A diferença é que enquanto a Interpol é uma força repressiva dentro dos limites da democracia burguesa, o Condor foi uma saída repressiva para a burguesia em desespero diante do operariado na época da ditadura militar. Calcula–se que mais de trinta mil pessoas morreram em decorrência desta operação em todo o Cone Sul.
Há inúmeros casos de estrangeiros desaparecidos no Brasil e de brasileiros desaparecidos no estrangeiro. Suspeita-se que as mortes de João Goulart no Uruguai e de Juscelino Kubitscheki, durante a década de setenta se deu através da Operação Condor. O provável é que a ditadura chilena dirigia o processo, sob a supervisão direta do governo dos Estados Unidos. Que a operação existiu é fato, pois existem inúmeras evidências para isto, mas existem muitas informações que ainda faltam neste quebra-cabeças.
A declaração do ministro recém nomeado provocou uma crise interna no governo e dentre os militares, diversos torceram o nariz para a idéia em diversos pontos do país. A atitude do governo com relação ao tema da abertura dos arquivos da ditadura militar não demonstra algum apoio por parte do governo. Além do mais diversos militares de alta patente e funcionários graduados do governo demonstraram descontentamento em relação ao tema. A situação foi discutida com o presidente no dia 4, mas o conteúdo da reunião e a posição do presidente não foi levado a público detalhadamente.
O mais interessante talvez seja o cinismo das declarações de alguns militares que afirmaram não querer que pessoas se metam no assunto e condenem pessoas e instituições por terem torturado e matado pessoas que se opunham ao regime burguês a soldo do imperialismo norte-americano, pois estas pessoas não participaram dos “fatos”, além de dizer que a anistia não deve valer somente para um lado e sim para os dois lados. Desde que assumiu o poder, contrariando as equivocadas expectativas da maioria da esquerda centrista e setores da sociedade civil ligados aos direitos humanos, o governo Lula somente esforça-se para acobertar os crimes da ditadura militar. Recentemente o governo tem demonstrado o interesse de não abrir os arquivos da ditadura militar, e, caso abra, que estes fiquem restritos como informação confidencial de estado, o que é a mesma coisa que não abri-los, dito com outras palavras.
O governo Lula ao ver que o operariado está evoluindo politicamente devido à experiência com a frente popular, faz o que é típico de todos os governos desse tipo, que é reabilitar as forças armadas para a sua própria defesa da massa operária colocada em movimento. A intenção do governo nada mais é do que reprimir a população trabalhadora quando ela começa a evoluir à esquerda. Há não muito tempo o governo Lula aumentou o orçamento com os gastos militares, aumentando o salário dos mesmos.
O governo Lula, tentando agradar os militares, fazendo com eles um acordo mudo para reprimir os setores oprimidos da sociedade, além de elogiar os governos militares, acobertando os horrendos crimes da ditadura militar, como fez Lula pouco depois de assumir a presidência, tem desviado o dinheiro dos trabalhadores para financiar a repressão aos próprios trabalhadores.

Operação Condor
Governo Lula e militares acobertam crimes da ditadura

O ministro-chefe da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, propôs uma parceria internacional para abertura de arquivos da ditadura militar provocando nova crise entre o governo e os militares

7 de fevereiro de 2005

Durante as atividades do Fórum Social Mundial, Nilmário Miranda emitiu declarações favoráveis à abertura dos arquivos da ditadura militar em conjunto com outros países do chamado Cone Sul.
Acontece que, durante as ditaduras militares impostas pelo imperialismo norte-americano para conter o movimento operário, houve, no decorrer da década de setenta, uma operação conjunta das ditaduras dos países do Cone Sul para capturar pessoas que não concordassem com o regime estabelecido.
A colaboração entre militares dos países do Cone Sul ficou conhecida como Operação Condor, que não é reconhecida oficialmente, por motivos óbvios. Esta operação foi algo tão repressivo que até as próprias leis da época da ditadura militar, mesmo sendo leis de exceção proibiam tal tipo de ação por parte do governo. Segundo o jornalista norte-americano John Dinges, que pesquisou arquivos de ditaduras de diversos países, a Operação Condor “foi desenhada para imitar, com métodos ilegais, a cooperação internacional das forças policiais que caracterizam a Interpol’’, e foi exatamente isto. A diferença é que enquanto a Interpol é uma força repressiva dentro dos limites da democracia burguesa, o Condor foi uma saída repressiva para a burguesia em desespero diante do operariado na época da ditadura militar. Calcula–se que mais de trinta mil pessoas morreram em decorrência desta operação em todo o Cone Sul.
Há inúmeros casos de estrangeiros desaparecidos no Brasil e de brasileiros desaparecidos no estrangeiro. Suspeita-se que as mortes de João Goulart no Uruguai e de Juscelino Kubitscheki, durante a década de setenta se deu através da Operação Condor. O provável é que a ditadura chilena dirigia o processo, sob a supervisão direta do governo dos Estados Unidos. Que a operação existiu é fato, pois existem inúmeras evidências para isto, mas existem muitas informações que ainda faltam neste quebra-cabeças.
A declaração do ministro recém nomeado provocou uma crise interna no governo e dentre os militares, diversos torceram o nariz para a idéia em diversos pontos do país. A atitude do governo com relação ao tema da abertura dos arquivos da ditadura militar não demonstra algum apoio por parte do governo. Além do mais diversos militares de alta patente e funcionários graduados do governo demonstraram descontentamento em relação ao tema. A situação foi discutida com o presidente no dia 4, mas o conteúdo da reunião e a posição do presidente não foi levado a público detalhadamente.
O mais interessante talvez seja o cinismo das declarações de alguns militares que afirmaram não querer que pessoas se metam no assunto e condenem pessoas e instituições por terem torturado e matado pessoas que se opunham ao regime burguês a soldo do imperialismo norte-americano, pois estas pessoas não participaram dos “fatos”, além de dizer que a anistia não deve valer somente para um lado e sim para os dois lados. Desde que assumiu o poder, contrariando as equivocadas expectativas da maioria da esquerda centrista e setores da sociedade civil ligados aos direitos humanos, o governo Lula somente esforça-se para acobertar os crimes da ditadura militar. Recentemente o governo tem demonstrado o interesse de não abrir os arquivos da ditadura militar, e, caso abra, que estes fiquem restritos como informação confidencial de estado, o que é a mesma coisa que não abri-los, dito com outras palavras.
O governo Lula ao ver que o operariado está evoluindo politicamente devido à experiência com a frente popular, faz o que é típico de todos os governos desse tipo, que é reabilitar as forças armadas para a sua própria defesa da massa operária colocada em movimento. A intenção do governo nada mais é do que reprimir a população trabalhadora quando ela começa a evoluir à esquerda. Há não muito tempo o governo Lula aumentou o orçamento com os gastos militares, aumentando o salário dos mesmos.
O governo Lula, tentando agradar os militares, fazendo com eles um acordo mudo para reprimir os setores oprimidos da sociedade, além de elogiar os governos militares, acobertando os horrendos crimes da ditadura militar, como fez Lula pouco depois de assumir a presidência, tem desviado o dinheiro dos trabalhadores para financiar a repressão aos próprios trabalhadores.

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